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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Outubro

As coisas são incríveis. Todas elas.
Porque vejam, meu mês não está nada bom. Naaada bom. E hoje ainda é só dia 6.

A questão é que estou lendo um livro, chamado "Vergonha dos Pés". Vão pensando no nome da autora.

Mas enfim, a personagem principal do livro, Ana, reclama do que está acontecendo. A passagem é assim:

" 'Merda! Está tudo errado. Que dia horrível. Por quê? Por quê?'
Porque era outubro. Ana não havia se dado conta de que o mês mais cruel de todos já tinha começado. Estes são, para ela, os trinta dias mais difíceis do ano. Sempre foi assim. Depois que cresceu, disseram que tudo não passava de 'inferno astral'. Mas ela não acreditou, pois não acredita em muitas coisas. Prefere imaginar que, por ser outubro o mês de início da terrível expectativa do final do ano letivo, há um 'cansaço colegial' que invade o corpo das pessoas."

Depois me perguntam por que eu gosto da Fernanda Young.
Parece que ela tá falando comigo, gente.
Sério.

É certo que outubro é o mês de aniversário de Ana e não é o meu.
Mas isso é apenas um mííínimo detalhe...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Eu quero

muitas pequenas coisas.
Mas, no momento, só terminar de ler "A divina comédia dos Mutantes".
Isso porque tenho prova em breve e quero começar a ler o livro de uma peça que vem pra cá.
Pra cá, Campinas.



Aproveito pra dizer que o livro é muito bom. Um dos melhores que já li.
Ainda não terminei, como disse. Mas já recomendo porque não acho possível odiá-lo nas 10 últimas páginas.

Caso isso aconteça, faço uma retificação.
Essa palavra, aliás, tem me perseguido e me irritado.

E meu bom humor manda lembranças.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mulheres, filosofia ou coisas do gênero

Foi esse o livro da Márcia Tiburi que comprei quando fui em seu bate-papo na Saraiva, ontem - ou anteontem, meio que vira meia noite por agora.

O livro é um conjunto de textos escritos por estudiosas da filosofia e organizados por Márcia e Bárbara Valle.
Ainda não comecei a ler, mas estou ansiosa.
Espero ler em breve. E te empresto o livro, se quiser.

Enquanto isso, dá um pulo no blog dela porque lá, além de falar sobre este livro, ela fala sobre os outros e sobre oooooutras coisas.

Melhor que aqui, eu garanto.

domingo, 27 de julho de 2008

Maitê

Muita gente diz que ela é campineira. Mas não. Nasceu em São Paulo e passou a infância aqui, até ir estudar na França e viajar pelo mundo. O que deve ter sido chato.

Há uma semana, mais ou menos, ela veio pra Campinas falar sobre seu novo livro, "Uma vida inventada", em uma livraria da cidade.
Não pude ir, por um bom motivo. Mas queria.

Hoje, na Revista Metrópole, do Correio Popular, há uma entrevista com ela. Maitê Proença.
Sobre o livro, ela diz:
"Quero que as histórias contadas ali interessem as pessoas. Mais do que isso, gostaria que as tocassem de um jeito diferente. Fato por fato, melhor ler o jornal..."

Como aspirante a jornalista, acho excelente que se leiam jornal mesmo.

Por sinal, quem não tem a Metrópole, pode ler a entrevista na íntegra aqui.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Lançamento

Lourenço Mutarelli, o autor do "Cheiro do Ralo", lançou em São Paulo, nesta quarta, seu novo livro: "A arte de produzir efeito sem causa".

Não li, mas sei da história: "Depois de largar o emprego e a mulher por motivos que guardam uma infeliz coincidência, Júnior pede abrigo na casa do pai. Sem dinheiro nem perspectivas, seus dias se dividem entre o velho sofá da sala transformado em cama, o bar onde bebe com desocupados e as conversas com a jovem e atraente inquilina do pai, Bruna, que ambos espiam através de um furo no armário. A pasmaceira só é interrompida quando começam a chegar pelo correio pacotes anônimos com recortes de notícias velhas — uma delas sobre o episódio em que o escritor William Burroughs matou a mulher acidentalmente.".

Além de tudo, estou com preguiça. A resenha acima é apenas uma parte copiada do todo, que encontrei aqui.

domingo, 20 de julho de 2008

Trechos

Eu acho que disse mais de mil vezes que gosto de trechos. E de parafrasear trechos. Ou nunca disse, mas já postei alguns. E, hoje, vai outro.

Li nesse domingo um livro chamado "É...", do Millôr Fernandes. E "É..." é uma peça sobre relacionamentos, escrita para a Fernanda Montenegro.

Sorte.
Dele, para poder escrever a alguém como ela.
E dela, para ter um texto dele, escrito especialmente.


Sou legal e pesquisei preços pra você. Clique na capa do livro.

O livro me foi emprestado por um amigo, que enriqueceu minha cultura de férias, "somando" essa bela peça a alguns livros que peguei na biblioteca da faculdade.

Mas isso interessa zero.
Vamos ao que interessa tão nada quanto, mas pouco mais, talvez.

Ao falar sobre "família", um dos personagens reflete:
"Mas veja o paradoxo: como indivíduos podemos escolher as nossas relações entre pessoas de nossa preferência, do mesmo gosto, com os mesmos interesses, mesmo nível cultural e até faixa de idade. Na família é que somos obrigados a enfrentar as diferenças essenciais ao ser humano: um tio burro, uma irmã mesquinha, um cunhado bicha, um primo subversivo."

E não é verdade?

Tudo bem, ninguém precisa dessa minha consideração para achar o Millôr, ou os textos dele, geniais.
Pena.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

É só uma observação

Pra dizer que encontrei essa promoção na internet.
"Kit Bruna Surfistinha".
Só pra deixar claro: são livros.

Juro por Deus.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

"Tudo que você não soube"

Acabei de ler - há uma semana, é verdade - o último livro da Fernanda Young, "Tudo que você não soube". A personagem principal, sem nome, escreve uma carta para seu pai que está morrendo, com o intuito de dizer tudo o que ele não soube - ou sabe - sobre a vida dela.

Acho a Fernanda genial. Não só por "Os Normais", "Os Aspones", "O Sistema" ou até mesmo o seu programa no GNT. Mas porque, além de escrever sobre diferentes temas e ter tiradas das mais hilárias em qualquer um deles, ela satiriza os ridículos do cotidiano de uma forma legitimamente brasileira.

Há quem diga que há muito de "Seinfeld" em "Os Normais" e que "Os Aspones é imitação do "The Office", mas pra quem viu o vídeo de comemoração do "Penta" por Rui e Vani - só para citar um momento -, "Seinfeld" passa a não ter tanta referência assim com os brasileiros como a criação de Young e Alexandre Machado.

É claro que sempre haverá a "Teoria da Conspiração" que não enxerga um produto nacional de extrema qualidade, melhor do que qualquer "Malhação" e uma das poucas coisas a se aproveitar na grade da Rede Globo.

Conspiração por conspiração, o lado dO Sistema é mais divertido: melhor do que culpar a Fernanda por imitar os americanos é acreditar que eles "criaram" a chegada do homem à Lua aqui mesmo no Brasil e que o E.T de Varginha nada mais "foi" do que um astronauta americano anão.

E, voltando ao livro, uma história cheia de referências, que prende na leitura e ainda tem frases ótimas pra se grifar. Uma das que escolhi é, embora ninguém tenha perguntado: "Meu marido, coitado, já me disse milhares de vezes: não parcela. Parcelar é estupidez. Mas eu acho que não. Estamos todos diariamente morrendo, então parcelar é sempre vantagem. Um dia morrerei e defunto não tem dívida - ou seja: sairei ganhando."

Como sempre redundante depois de um texto que promove um filme, um livro ou uma peça, "indico" a leitura. E quem quiser, já sabe, eu empresto!

Só pra constar: o título do post é o nome do livro, que tá escrito embaixo na foto da capa e logo no primeiro parágrafo eu ainda repito. Não é porque subestimo a capacidade do leitor de entender. É uma questão de erro mesmo, mas que dá preguiça de consertar.

domingo, 7 de outubro de 2007

Últimas

O que anda acontecendo (no meu) mundo:


A última sessão de cinema
Na coluna "This Land" deste domingo, o jornalista Dan Barry narra a trajetória das salas de cinema da cidade de Bexley, Ohio, num texto brilhante e acolhedor. Ler a matéria faz você se sentir num passado distante, prestes a ser massacrado pelo futuro, mas também acaba conhecendo quase intimamente um personagem que faz da nostalgia uma forma de descobrir novos mundos – através dos filmes.

A coluna do Dan Barry (que trabalha no Times desde 1995 escrevendo sobre política, Nova York e outros assuntos, e já ganhou trocentos prêmios – inclusive o Pulitzer) sempre conta histórias de locais obscuros e desconhecidos dos Estados Unidos. Outra coisa interessante é a versão complementar "audio slide show" da matéria. É só imaginar um Power Point de nível jornalístico e altamente envolvente, que tem a voz de Barry na narração.


"O grande Murdoch"
Para entender e tentar antever o que será do jornalismo – ou de uma grande parcela da atividade jornalística mundial - nos próximos anos, é obrigatório ler o comentário de Steve Coll sobre Rupert Murdoch, o magnata que comprou por 5 bilhões de dólares o grupo Dow Jones de comunicação. Leia-se: debaixo de suas asas, agora estão o Wall Street Journal, um dos maiores do mundo, além de outros 100 jornais impressos, a rede de TV Fox, o MySpace e a 20th Century Fox. O império do australiano naturalizado norte-americano – uma espécie de Kane do século XXI, só que decrépito e puro osso – é avaliado em 30 bilhões de euros, o maior conglomerado de comunicações do mundo.

O texto de Steve Coll na The New Yorker mostra bem o perigo da jogada bilionária: mudanças na linha editorial investigativa e aprofundada do Wall Street Journal, padronização, cortes, nivelação da qualidade por baixo, etc. Também não deixa de citar a pisada na casca de banana administrativa que a família Bancroft, que controlava a empresa há 105 anos, acabou admitindo no próprio WSJ: "We are actually now paying the price for our passivity over the past twenty-five years".


Journal-ism
Os diários dos irmãos Goncourt parecem ser o retrato fiel, uma crônica espirituosa da turma parisiense da segunda metade do séc. XIX. Edmond e Jules, mais conhecidos pelo prestigiado prêmio das letras francesas, que leva o sobrenome da dupla (e com o qual já foram agraciados Proust, André Malraux, Simone de Beauvoir e Marguerite Duras) batem um papo animado com Flaubert, lamentam-se com Baudelaire e pensam ao lado de Rodin na Paris dos pintores impressionistas. Tudo é registrado com vivacidade. No trecho disponível no The New York Review of Books, um papo não muito animado com o russo Turguêniev, que já não dava mais no couro e estava, literalmente, cabisbaixo.

E por falar em diários, este artigo demonstra como a dedicação de escrever e manter um diário pode ajudar no aprendizado dos adultos. Alguns estudos mencionados no texto comprovam que escrever um diário é um meio de desafiar a ordem, discordar das autoridades e garantir um meio seguro para defender suas idéias. A partir da observação de casos estudados, um dos estudiosos dessa área chega a conclusão que o "journal writing is closest to natural speech, and writing can flow without self-consciousness or inhibition. It reveals thought processes and mental habits, it aids memory, and it provides a context for healing and growth. Journals are a safe place to practice writing daily without the restrictions of form, audience, and evaluation." O diário é o que chega mais próximo da autoreflexão na literatura. No processo de aprendizado, o escrever-para-si ganha outras dimensões quando é compartilhado.

A todo o momento, a autora Sandra Kerka salienta que não adianta apenas usar o diário como forma de registro, e sim como meio para refletir e dar sentido ao que cada um experimenta: "Writing is a critical ingredient in meaning making, enabling learners to articulate connections between new information and what they already know."

Alguns diários da literatura a serem lidos: __________ (preencha aqui)


Fraude, PhD
O Guardian da Inglaterra noticiou a proeza de um falso jornalista que forjou entrevistas com Kofi Annan, Bill Gates, Michael Bloomberg e Alan Greespan. O detalhe é que ele trabalhava como consultor na rede ABC, escrevia para jornais franceses e dizia ter um PhD na Sorbonne. 2 anos após a primeira suspeita (a ONU alegou que tal entrevista com Kofi Annan não constava dos registros), ele foi desmascarado. Dois anos.


Filme-catástrofe
O fotógrafo japonês Shuuichi Endou criou uma forma original para alertar o mundo sobre o aquecimento global. Apaixonado por Tuvalu, país prestes a sumir do mapa (está a apenas 10cm acima do nível do mar), ele está tirando fotos de todos os 11.000 habitantes do quarto menor país do mundo. O projeto do fotógrafo quarentão é minucioso. Quer catalogar todas as famílias e almas que num futuro próximo terão que fugir do país.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Um mês agitado

A eleição das sete novas maravilhas do mundo e o Live Earth unificaram o planeta em duas ações grandiosas nesse mês de julho. A primeira fala por si só e a segunda consistiu em concertos espalhados por 7 continentes, em 9 cidades - entre elas o Rio de Janeiro.

Confesso que não me importei com a votação das maravilhas. Tomei conhecimento no dia em que se encerrava - como boa jornalista - e tentei votar nas últimas 4 horas - como boa brasileira. Resultado: não computei meu voto para o cristo redentor e, mesmo sem minha colaboração, o monumento carioca conquistou o terceiro lugar.

Já para o Live Earth, com propagandas e pronunciamentos do Al Gore pelo mundo, destinei mais atenção.
Os shows do Brasil, com Xuxa exclamando o quanto o evento era 'de todos' e não apenas dos americanos, foram encerrados com Lenny Kravitz e, apesar do reforço nacionalista da rainha dos baixinhos, não há como negar que o cantor norte-americano foi o mais aguardado do dia 07/07/07 na praia de Copacabana.

Enquanto isso, na literatura..

Teve fim no último domingo, a Festa Literária Internacional de Parati (a famosa Flip), com aproximadamente 6 mil visitantes a mais do que no ano passado. Apesar dos problemas com alto preço da comida e super lotação para pouca estrutura, a Flip contou com um grande número de autores se dispondo a fazer leituras e comentar suas obras. Além disso, deixa um filhote: o primeiro Fórum das Letras em Ouro Preto. O 'Flop', começa hoje e vai até o dia 15 de julho, com participações internacionais e nacionais, como Jean Paul Delfino, da França e o brasileiro Zuenir Ventura.

Tudo isso aconteceu(endo) e não estamos nem na metade de julho.
Vou precisar tomar muito café pra aguentar...Embora não tenha participado de nenhum dos eventos.
Sou solidária, desculpe!

*Marina Aranha descobriu que em todas as férias acontece a mesma coisa: termina viciada em E.R. A Abby é muito legal, vai! Vou..tomar café! Até.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Doença da meia-noite

Vai ser um inferno quando eu terminar Garotos incríveis, do Michael Chabon. É um daqueles livros seminais, pedra fundamental de certa fase da sua vida que vai acabar abruptamente quando você virar a página 331. Escrito há 12 anos atrás, virou até filme com Michael Douglas, dirigido pelo Curtis Hanson e ganhou Oscar de melhor música – Bob Dylan, em pessoa. Mas só isso não me satisfaz. Não vi nem quero vê-lo tão cedo assim. Nesse caso específico, a “imortalidade” da história transcrita em película não me dá tantos sinais de que os bons tempos voltaram e vou gozar novamente.



abram-se enormes parênteses: (foi exatamente assim (mas em outros termos) quando terminei Crime e castigo, depois de alguns bons meses, depois de alguns bons anos decifrando cada parágrafo monstruoso e cada sentença milimetricamente construída com uma pinça pelas mãos de Dostoievski. E foi assim quando vi Laranja Mecânica pela primeira vez, estuprado visualmente (Freud explica) e agarrado pelo estômago pra dentro da tela. E foi assim com A insustentável leveza do ser, e com “Black Napkins” do Frank Zappa, e com Crimes e pecados do Woody Allen, e com...)

Em Garotos incríveis, um escritor de meia-idade, maconheiro e irresponsável – e com um tremendo senso de humor – não consegue terminar um livro extenso que começou a escrever há mais de 7 anos. 2600 páginas depois, com a companhia de um bizarro e talentoso aluno da universidade (obcecado com os suicidas de Hollywood), uma aluna apaixonada por ele e seu editor tarado, desenrolam-se as desventuras de um homem comum, errante, desvirtuado, cujas perspectivas de vida não vão além do desejo de fumar um grande e gordo baseado no banco traseiro de seu carro. Grady Tripp sente um desprezo pela própria pessoa. Destruiu a vida de muitas pessoas, e sua consciência agora pesa tanto quanto seu manuscrito de “Wonder Boys”, calhamaço inacabado de personagens que vagam perdidas no tempo e no espaço.

Desrespeitando todas as leis de direitos autorais, saco a arma da reprodução desenfreada e atiro aqui, na cara do leitor, um de meus trechos preferidos, que acredito que definem o livro de Michael Chabon – e muito pretensamente, minha identificação pessoal com a obra.

Como Albert Vetch, ele parecia simultaneamente assombrado e desatento, o tipo de pessoa que num momento podia adivinhar, com frieza de tirar o fôlego, a tristeza mais profunda no coração dos outros, e no momento seguinte virar-se e, com um aceno de despedida alegre, marchar impassível através de uma porta de vidro, precisando de vinte e dois pontos na bochecha.
Foi na aula desse sujeito que me perguntei pela primeira vez se as pessoas que escreviam ficção não sofriam de algum tipo de desordem – sobre a qual comecei a pensar, lembrando do louco balanço noturno de Albert Vetch, como a doença da meia-noite. A doença da meia-noite é uma espécie de insônia emocional – a cada momento consciente a vítima - mesmo se escreve de manhã cedo ou no meio da tarde – sente-se uma pessoa deitada num quarto sufocante, com a janela aberta, olhando para um céu cheio de estrelas e aviões, ouvindo a narrativa de uma persiana barulhenta, uma ambulância, uma mosca presa numa garrafa de Coca, enquanto ao redor os vizinhos dormem a sono solto. Na minha opinião é por isso que os escritores – como os insones – são tão propensos a acidentes, tão obcecados com o cálculo do azar e das oportunidades perdidas, tão dados à ruminação e à incapacidade de abandor um assunto, mesmo quando lhe pedem repetidamente para fazê-lo.

Como Tripp adia o fim indefinido de seu Ulisses particular, adiarei o término dessa leitura, uma das mais prazerosas que já tive.

Mas não aguentarei 7 anos, nem fodendo.


* Fábio Bonillo está lendo Os subterrâneos, de Jack Kerouac, O amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence, Introdução a análise do discurso, de Helena Brandão, Modern News Reporting, de Carl Warren, e Revista Mad #130 ao mesmo tempo.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Mais uma vez: não é a Haydée.

Na ‘Warner’ – e essa vai para os viciados em televisão – ‘as segundas são das loiras’. No ‘Soma’ ficou decidido que serão minhas. Como diria o Pica-Pau: ‘E lá vamos nós!’

Nos meus áureos tempos de faculdade tive um professor que disse que nós, alunos de primeiro ano, não poderíamos dar opinião NEM sobre o milk shake do McDonald's. Eu não poderia mesmo porque não o consumo. Mas o motivo não era nerdice–anti–capitalismo/imperialismo–norte-americano que poucos têm. Era a idade – 16, 17 anos – e as respectivas experiências vividas.

Não me atrevo a desrespeitá-lo, mas, pouco mais de um ano depois, utilizarei o espaço de hoje para falar sobre um belo livro que li. E isso prova o quanto eu presto atenção no que os outros dizem...

‘A menina que roubava livros’, de Markus Zusak está entre os mais vendidos hoje. Na lista da Revista Época do último domingo, ocupa a primeira posição. Mas não é por isso que li ou recomendo a leitura. Na verdade, recomendo porque li, mas não li porque vi, e sim porque ‘dei uma pesquisada’. Então, aqui está, a contragosto do professor, a minha opinião:

A narradora é a morte e o primeiro fato que ela nos apresenta é que um dia vamos morrer. Essa é a única certeza que temos sobre a vida durante ela toda, mas ninguém gosta de lembrar. Em ‘A menina que roubava livros’, porém, o terror da morte desaparece em meio a emocionante história de Liesel Meminger, uma menina que, com seus 9 anos de idade, conhece o mundo e as injustiças dele, ao perder seu irmão e ser deixada, pela mãe, na casa de Hans e Rosa Hubermann, o grande cenário do livro.

Durante as quase 500 páginas, o ano de 1939 chega rapidamente a 1943 e todo o terror da Segunda Grande Guerra serve como pano de fundo para a bela história de Liesel que, nesse período, escapou da morte 3 vezes e resolveu contar sua história em ‘A menina que roubava livros’, re-contada para nós pela maior testemunha de sua vida nesses 4 anos: a própria morte.

Há como não gostar, claro. Mas o livro de Markus Zusak não é apenas mais um no mercado brasileiro impulsionado pela lista do ‘The New York Times’ ou da Oprah. É uma inovadora narrativa, leve e com particularidades que só lendo serão encontradas. Desde desenhos e letras diferentes em certas partes do livro à momentos desesperadores na vida da protagonista, ‘A menina que roubava livros’ pode ser um grande programa para as férias ou mesmo uma densa leitura.

Tentando fugir do clichê, não vou dizer que vale a pena ler – embora fosse redundante depois de todo o texto – mas, se interessar, você pode dar o primeiro passo aqui.

E, se gostar desse trecho, peça o livro que eu empresto!

*Marina Aranha teve que dizer a um amigo, mais de mil vezes, que o livro não era sobre a ‘Haydée pequenininha’. E essa, de novo, vai pros viciados em televisão.